quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Resenha de CD > My Dying Bride - A Map of All Our Failures (2012)

Gravadora: Peaceville Recs.

Eu tentei, eu juro. Ouvi o disco várias vezes. Mas eu não sei se o problema sou eu ou se realmente os ingleses do My Dying Bride perderam o jeito de fazer Doom Metal. Ao ouvir os últimos 3 discos da banda, eu tenho a mesma sensação que tenho quando ouço os 3 últimos do Iron Maiden. Os discos são tecnicamente excelentes. Mas musicalmente, embora eles não sejam necessariamente ruins, eles nunca são realmente bons e vão perdendo a inspiração a cada lançamento. Parece que, pra ambas as bandas, acabou aquilo que os tornava revolucionários.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Resenha de Show > Legion of Nexus Fest (SP, 29/11/2014)

Enviado por Thiago Santos (Depressão Doomster)
Fotos por Fernando NokturnalMortum

O ano de 2014, que foi muito prolífico em relação a festivais e shows do doom metal nacional, ainda reservava muito para os fãs da cena. No último sábado, 29/11, pudemos presenciar mais um grande evento do estilo com nomes de peso, boa estrutura e casa cheia. O Legion Of Nexus Fest – Into The Dark Edition trouxe ao Blackmore Rock Bar, no bairro de Moema em São Paulo, 4 bandas experientes e seus fiéis seguidores, bem como novos que foram “convertidos” ali por conhecer o som de alguma delas pela primeira vez.

O cast do evento contou com: Crimson Dawn Project, Ravenland, Mythological Cold Towers e HellLight (todas de São Paulo/SP).

O público foi aparecendo aos poucos e, com o decorrer da noite, lotou o Blackmore Rock Bar para prestigiar o som autoral do Brasil, fato que merece destaque! Afinal, é essa receptividade e participação do público que faz tudo acontecer, fator que foi lembrado por todas as bandas da noite com agradecimentos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Resenha de CD > Frequency of Butterfly Wings - The Weight of Existence (2014)

Enviado por Guilherme Rocha (Funeral Wedding)
Gravadora: lançamento independente digital
Lançamento: janeiro/2014

Uma das melhores qualidades que a internet nos proporciona é poder ter acesso às bandas dos lugares menos prováveis. E aqui temos, lançando seu segundo trabalho de estúdio os iranianos do Frequency of Butterfly Wings, demonstrando um nível de qualidade bastante incrível para uma banda de uma localidade que não é nem um pouco reconhecida por revelar bandas de Metal em geral. O EP, The Weight of Existence, além da qualidade técnica/criativa já implícita nas músicas, traz uma capa atraente em muitos aspectos, seja pelo abstrato artístico ou pelo sentimento de excitação e dominância que a arte transmite. O som transpassa as mesmas sensações da arte da capa, sendo muito excitante de ouvir, no entanto é uma atração não forçada, leve, ouve-se não por vontade e sim, pois quanto mais os acordes e chegam ao seu ouvido, mais você quer escutar daquele tipo de som. No mínimo instigante e prazeroso.

Sobre as canções em si, podemos ouvir claramente que o Doom Metal corre rápido em muitos momentos devido à grande influência de Melodic Death Metal, que a banda carrega e é exatamente por isso que é extremamente sensacional de se ouvir, uma vez que é raro ouvir bandas com solos lindos, passagens mais rápidas bem encaixadas, linhas de baixo em evidência, extremamente criativas e bem executadas aliadas á linhas mais atmosféricas voltadas para a tristeza do Doom Metal. A canção "Equal To My Ruin", a melhor faixa, é a faixa que melhor expõe essa transição de entre Atmosferic e Melodic Doom/Death Metal.

Um trabalho de incrível qualidade, que deve ser dado muito crédito aos músicos uma vez que é feito de forma independente sem contrato com nenhuma gravadora. Ficamos no aguardo de um álbum de mesma qualidade e enquanto este não chega temos de desfrutar o máximo dessa obra no mínimo sensacional que estes iranianos nos proporcionaram.


sábado, 22 de novembro de 2014

Resenha de CD > Evoken – Atra Mors (2012)

Gravadora: Profound Lore

A banda estadunidense Evoken é uma daquelas que, desde que a conheci, acredito que na época do Antithesis of Light, não me decepcionou. E ao invés de tornar seu som mais suave ao longo dos anos, como fizeram e vem fazendo muitas bandas de Doom extremo como My Dying Bride e Ahab (sem nem mencionar Anathema e outras porque já se tornou redundante), Evoken se mantém fazendo álbuns que só não são mais pesados que os anteriores porque isso é praticamente impossível.

Todas as faixas apresentam muitas variações de andamentos e atmosferas, pausas, melodias de guitarras ou teclados, e seguem sempre em progressão, raramente voltando por onde já passaram. A melancolia das faixas não é aquela típica tristeza romântica que normalmente se espera do Doom extremo, mas um sentimento mais negro e vazio, próximo de bandas como Thergothon ou Disembowelment. Por ser um disco um bocado experimental, as músicas podem ser difíceis de assimilar, principalmente por seu lado progressivo e pela falta de repetição.

O instrumental é muito pesado (talvez só não sendo mais pesado que o Antithesis of Light), bastante trabalhado e muito bem construído, cozinha alternando andamentos, alguns trechos mais quebrados, boas viradas e ocasional uso do bumbo duplo. Frequentemente entram curtas passagens mais atmosféricas, às vezes até calmas, usando guitarras acústicas para tornar o som mais melancólico ou macabro, do mesmo modo que faziam os australianos da Disembowelment. As guitarras também trazem fraseados e solos aqui e ali, com melodias e feeling sensacionais, como no final da faixa Descent into Chaotic Dream. Sobre os teclados, esta é uma das bandas que melhor sabe usá-los sem tirar o foco do peso no seu som, normalmente criando atmosferas mais sinistras.

Os vocais predominantes são guturais que usam bastante reverb e passam aquela sensação claustrofóbica de “fundo da caverna”, com alguns outros trechos apresentando vocais sussurrados. Diferentemente do que faz a banda My Dying Bride, no entanto, ao invés de declamações, esses sussurros são mais como lamentos, que contribuem para a atmosfera desoladora do álbum, e sua participação no disco é mínima.

O disco tem intervenções interessantes de teclado, às vezes até psicodélicas, como na faixa Atra Mors, ou mais sinistros como na já mencionada Descent..., e as músicas diversas vezes se alternam entre passagens agressivas mais Death, e outras mais pesadas e lentas de Funeral. Algumas tem passagens mais épicas, como Grim Eloquence (possivelmente a mais pesada do álbum), que, assim como An Extrinsic Divide, também contam com as melodias de violoncelo já típicas da banda. O disco conta também com dois interlúdios intrumentais, A Tenebrous Vision, uma curta e triste faixa ao piano, com um clima bastante nostálgico, e Requies Aeterna, apenas com violão e violoncelo.
A última faixa, Into Aphotic Devastation, tem uma das atmosferas mais tenebrosas que já ouvi, e que lembra um pouco os tempos dourados do My Dying Bride.

Em questão de produção, o disco é razoável. Pode-se ouvir bem os intrumentos, e eu particularmente gosto dessa atmosfera cavernosa e do excesso de reverb, mas a timbragem das guitarras, por algum motivo, não me agrada tanto. Elas muitas vezes me soam muito agudas pro estilo, enquanto ao mesmo tempo abafadas e um pouco baixas.

É difícil dizer se este é o melhor álbum do Evoken, já que a banda tem na discografia os álbuns Tragedy Eternal e Quietus (o meu favorito), mas o que podemos afirmar é que ele provavelmente é o mais experimental da banda até hoje e também que foi um dos melhores lançamentos do ano de 2012 na cena Doom.

Vale lembrar que o Evoken lançou, em 2010, um split com a banda Beneath the Frozen Soil, que traz 4 faixas da banda. Por fim, se você já curte o trabalho deles, acredito que gostará muito deste disco. Mas se você não conhece o som da banda, mas procura um Death/Funeral pesadíssimo e com um clima extremamente tenebroso, confira!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Curiosidades sobre os 4 anos de Doom Metal BR!

O Doom Metal BR entrou no ar no fim de junho de 2010. Foi uma iniciativa solitária (bem Doom isso... rs) num momento em que não haviam sites ativos sobre Doom Metal no Brasil e toda fonte de informação sobre o estilo eram sites estrangeiros como o Doom-Metal.com, ou os grupos de discussão nas redes sociais como o Orkut e Facebook (até então quase inexistentes neste último).

A ideia por trás da criação do site foi não apenas divulgar este estilo tão obscuro e desconhecido para o público brasileiro e conseguir novos fãs, mas também levar para o público de fora informações sobre as bandas aqui existentes e mostrar que mesmo neste país tropical, se faz bom Doom Metal.

Alguns números e curiosidades destes 4 anos de existência do site:

  • Desde sua criação até hoje, o site já recebeu mais de 100 mil visitas, tendo alcançado esta marca praticamente ao mesmo tempo em que a página no Facebook alcançou 5 mil curtidas.
  • A postagem mais acessada é As 196 Regras do Doom Metal
  • A página mais acessada é Estilos de Doom Metal
  • Os 5 países que mais acessaram o site:
    Brasil (+ de 49.780 visualições)
    Estados Unidos (+19.026)
    Ucrânia (+9.698)
    Rússia (+4.443)
    Israel (+2.595)
    Seguidos por China, Alemanha, França, Holanda e Suécia.
  • A página do Facebook foi criada mais de um ano depois do blog, em novembro de 2011. No último ano, ela subiu de cerca de 2000 para mais de 5000 curtidas, um crescimento de 250%
  • A participação do público latino-americano é maior no Facebook e o ranking de pessoas que curtem a página é o seguinte (em 31/10/2014):
    Brasil (3.597)
    México (159)
    Estados Unidos da América (124)
    Irã (68)
    Turquia (61)
    Argentina (58)
    Itália (56)
    Chile (51)
    Colômbia (50)
    Síria (42)
  • O mês com mais acessos na história do blog foi julho deste 2014, que, mesmo com o blog inativo por um tempo, teve 3.354 visualizações, o que daria uma média de cerca de 108 visualizações por dia.

— Luciano Antoniasse

Resenha de CD > Black Autumn – Losing The Sun

Enviado por Guilherme Rocha (Funeral Wedding)

Black Autumn – Losing The Sun
Gravadora: Rain Without End Records
Lançamento: setembro/2014

Constituído por apenas um membro (Michael Krall), a banda Black Autumn existe desde 1995, mas só lançou o primeiro álbum em 2007 (Ecstasy, Nightmare, Doom) e desde então lançou mais 5 excelentes álbuns, que nunca fogem dos gêneros Doom/Atmospheric Black Metal. Viciante e executado de maneira impecável a cada audição é uma das primeiras características que o ouvinte irá notar com certeza. Triste, tristonho, tristeza. Sim, a infelicidade está em todo lugar aqui, mas quem admira esse tipo de sonoridade vai encontrar a solidariedade de partilhar do mesmo sentimento do alemão e a felicidade por escutar a bela e mais recente obra do alemão, que é o álbum Losing The Sun.

Abrindo com a faixa que dá nome ao álbum, "Losing The Sun", já evidencia nos primeiros acordes a profunda depressão e no mesmo tempo o ouvinte já sente o êxtase dos vocais, que são sussurros rasgados, de uma agonia imensa, alívios, é a alma extravasando claramente. A partir daí fica claro que é impossível destacar sequer uma canção, pois todas vão se completando conforme a confirmação da audição do play. Um apelo total aos sentimentos angustiantes é o que o álbum é, com muitas passagens instrumentais e pesadas, graves. 

O interessante é que grande parte de grupos parecidos ou com a mesma proposta, acabam por soar bastantes maçantes, ou por não ter uma grande mudança de "cenários atmosféricos" ou por possuírem muitas canções com longas durações, o que às vezes, torna o prazer de ouvir em cansaço de ouvir.

Por fim, há grandes chances de acabar se impressionando com Losing The Sun, e considerá-lo o álbum como um dos melhores álbuns do ano, seja no gênero em que ele está contextualizado ou até de maneira geral. No mais, não espere e delicie-se com álbum.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Resenha de Show > Doomsday Fest II (26 de outubro de 2014)

Enviado por Thiago Santos (Depressão Doomster)

De volta com sua segunda edição, o Doomsday Fest mais uma vez reuniu em São Paulo, na tarde do dia 26/10/14, uma platéia fiel (de cerca de 100 pessoas) do underground doom metal nacional para prestigiar este grande evento. Com realização da Last Time Produções, o local escolhido desta vez foi o Morfeus Club, casa bem localizada no bairro de Santa Cecília, próximo ao centro da capital, com boa estrutura e 2 ambientes separados para o bar, na parte superior, e o palco, na parte subterrânea. Além dos próprios fãs, estavam presentes também integrantes de várias outras bandas da cena para dar apoio a mais este festival, num ano em que tivemos vários outros de sucesso, fator que aponta para o crescimento do gênero no Brasil.

Desta vez, o cast do evento contou com as bandas: Qerbero (São Paulo/SP), Saturndust (São Paulo/SP), Contempty (Rio Pomba/MG) e Abske Fides (São Paulo/SP).