Nota DMBR: em primeiro lugar, peço desculpas pois esta resenha deveria ter sido postada poucos dias após o show, mas por motivos de saúde não pude fazê-lo na época. Em segundo, quero agradecer à Julie Sousa, baterista da Mortarium, por ter me enviado a resenha.
Twilight Of The Idols
Mythological Cold Towers
Teatro Odisseia
Domingo, 12 de maio de 2013.
No último domingo dia 12 de maio, o Rio recebeu uma das maiores bandas de Doom Metal do país. Mythological Cold Towers esteve na cidade para sua primeira e única apresentação no Teatro Odisseia, região da Lapa.
Organizado pela JZ produções, o Twilight Of The Idols além da Mythological Cold Tower, contou com a participação das bandas Boreal Doom, As Dramatic Homage e Poeticus Severus. Incluo já aqui meus cumprimentos à produção do evento em trazer uma banda de tal relevância em terras cariocas pela primeira vez.
Chegando ao local do show, ainda na porta, reencontro alguns amigos dentre eles o Fabio Shammash, do MCT, e o Marcelo Zanatta com sua noiva Cris, da JZ Produções. Conversamos sobre as expectativas para aquele show, sobre a cena carioca, entre outros assuntos. Esse clima intimista marcara toda aquela noite. Foi uma espécie de encontro entre velhos e novos amigos, todos ansiosos pelo que estava por vir.
A casa:
Com ótima localização, o Teatro Odisseia oferece uma excelente estrutura de som e acomodações, ao nível das casas de shows de médio porte da cidade. O espaço tem um bom histórico de shows de Heavy Metal e é sempre elogiado pelo público e bandas.
O público:
Cerca de 120 pessoas estiveram presentes para este concerto, grande parte membros de bandas tradicionais. Foi uma noite para os que de fato apreciavam a boa música do gênero Doom Metal.
O show:
Mythological Cold Towers foi a segunda banda a subir ao palco naquela noite.
Iniciando a apresentação com "Lost Path to Ma-Noa", Mythological Cold Towers cativou os olhares atenciosos dos presentes, com muito profissionalismo e a áurea de única que os caracteriza.
"In the Forgotten Melancholic Waves of the Eternal Sea" deu sequência à apresentação da banda, lindamente apresentada, envolvendo a todos no clima que a Mythological proporcionara. "Fallen Race" e "Like an Ode Forged in Immemorial Eras" foram executadas impecavelmente, e devo destacar aqui a bela atuação e entrosamento de todos na banda, sobretudo a performance do baixista Thormianak, que interagia a todo momento com os demais músicos, e a atuação do vocalista Samej Coatl, intensa e perfeita durante todo o show. É imperativo salientar que Thormianak (baixo) e Hécate (teclados) são sessions members da banda de Black Metal Miasthenia.
"The Shrines of Ibez" deu continuidade ao concerto, mantendo o mesmo clima intenso, um dos pontos altos do show. O público parecia hipnotizado, em êxtase diante da execução da "Immemorial". Na minha opinião, o auge da apresentação que vinha sendo perfeita e tornara-se agora inquestionavelmente ímpar.
Em seguida, a "Akakor" mostrando toda a virtuosidade da banda, mantendo o encantamento que fazia o público incrédulo.
Mythological Cold Towers apresenta sua última música, a "Contemplating the Brandish of the Torches" de forma magistral, como fora todo o show. Intensa, brilhante e imaculadamente executada. De fato, o show da Mythological caracterizou-se por uma atmosfera que nos remetia a uma percepção distinta.
É intenso, legítimo. Uma apresentação impecável e sem a menor necessidade de retoques.
Foi uma honra para mim presenciar este momento, não apenas por se tratar de um ícone do Doom Metal nacional, mas principalmente porque foi uma oportunidade rara de vê-los em terras cariocas. Não pude presenciar o show das demais bandas da noite, mas certamente fizeram uma bela apresentação!
Resta agradecer ao MCT por terem vindo e à JZ produções por acreditar neste evento e tê-lo realizado.
No último dia 10 de abril, o Teatro Rival no Rio de Janeiro recebeu a primeira e única apresentação de um expoente do gênero Doom Metal - os ingleses do My Dying Bride - , esperados há anos pelos doomsters presentes das mais variadas partes do país.
Ainda na fila para a entrada, era possível ouvir e identificar diferentes sotaques, conhecer e reconhecer membros de algumas bandas de Doom Metal brasileiras. Todos compartilhavam de um sentimento de euforia, aliado à ansiedade em estar diante de seus ídolos. Era apenas o começo de uma grande noite!
Quando ouvi o disco One Day Less, da
banda portuguesa Before the Rain, achei um bom álbum e vi que a
banda tinha um bom potencial. Quando foi anunciado que Gary Griffith,
ex-membro da extinta e lendária banda Morgion, se juntaria à
banda, as minhas expectativas pro segundo disco subiram bastante, já
que os vocais do primeiro disco não foram seu ponto mais forte, com
muito uso dos vocais falados que eu tanto desgosto. Já o split com a
banda finlandesa Shape of Despair, trouxe uma ótima faixa (Somewhere Not There) mas, no
entanto, eu não imaginava que, com seu segundo álbum completo, a
Before the Rain se tornasse responsável pelo lançamento de um dos
melhores álbuns de Death Doom que já ouvi.
O disco mantém um pouco daquela veia
do Death Doom noventista do disco anterior, com certa influência de
Anathema e My Dying Bride antigos e Morgion, mas agora com novos
elementos. O som está bem mais progressivo do que antes, mais
dinâmico e com muitas variações nas estruturas, andamentos e
melodias das músicas. Os andamentos predominantes são médios,
podendo ir a outros mais lentos ou mais rápidos em algumas
passagens. O trabalho das guitarras de Gary Griffith, Valter Cunha e Carlos Monteiro está maravilhoso, usando bases
pesadas em conjunto ou alternância com leads mais melódicos ou
repetições mais minimalistas e hipnóticas, típicas da banda. O
baixo de Pedro Daniel, no geral, cumpre um papel mais discreto no som, se focando
mais no peso, enquanto a bateria de Joaquim Aires apresenta um trabalho muitíssimo
bem executado, com um bom uso dos pratos e tons, que com certeza,
enriquece as músicas. Em boa parte do disco, é possível notar também várias camadas de guitarras e vocais, muitos arranjos harmônicos, o que torna o disco extremamente complexo e mais rico a cada audição, e que mostra que a banda soube aproveitar muito bem a opção que as três guitarras lhes traz ao vivo. Também é frequente o uso de pausas nas músicas, pra então haver completas transformações de atmosferas ou direcionamentos nas faixas. Cada detalhe do disco parece ter seu lugar e ele
nunca se torna óbvio, entediante ou sem propósito.
E na questão dos vocais, Gary
Griffith, junto com outros como Matt Lawson da The Prophecy e Frank
Brennan da Mourning Beloveth, se mostra um dos melhores
vocalistas da cena mais extrema do Doom Metal, mostrando uma
performance superior até mesmo ao seu trabalho na Morgion. Seus
vocais são versáteis, sua voz é marcante, seu senso melódico é
apurado e sua interpretação é magistral, carregada nos momentos
mais melancólicos, intensa ou suave conforme necessário. O disco
também é bem balanceado na distribuição dos vocais limpos e guturais, o que traz mais variedade e é definitivamente
essencial para bandas com essa proposta. Os vocais narrados ainda
marcam presença, mas desta vez se encaixam melhor nas músicas,
especialmente por não usarem os timbres “chorados”, comuns ao
primeiro disco e a bandas como o antigo Anathema e o atual My Dying
Bride.
O disco ainda traz, em alguns
momentos, a ótima participação de uma vocalista feminina, que
aparece como apoio aos vocais de Griffith ou, então, trazem maior atmosfera à música. Eu normalmente não costumo citar as
letras dos discos em minhas resenhas já que me foco mais no lado musical, mas as de Frail valem a menção.
Elas trazem um lado mais existencialista que eu particularmente gosto
bastante, muito bem escritas e que favorecem a interpretação
dramática do vocalista.
A primeira faixa, And the World Ends There, tem uma atmosfera
apocalíptica condizente com seu título e
letras, com excelentes linhas vocais. É uma faixa pesada, que
termina com um direcionamento mais rápido e mais Heavy tradicional.
Shards, a segunda, traz um momento mais arrastado e mais puxado para o
Funeral, que me lembrou o que o MDB fez no disco Turn Loose the
Swans.
A terceira faixa, Breaking the Waves, é a mais longa
do disco (17:32) e começa extremamente melancólica, com diversas
camadas de vocais sobrepostos. Nela, temos a primeira contribuição de
vocais femininos, alternando momentos atmosféricos com outros
pesados, para depois trazer uma pausa seguida de uma mudança
drástica para riffs pesadíssimos e um clima mais desesperado.
A quarta faixa, A Glimpse Towards the Sun, começa mais acústica e
nostálgica, indo pra algo mais agressivo no final, sendo a mais
curta do disco, com menos de nove minutos de duração.
A quinta faixa, Frail, que é a faixa-título do disco, já começa mais pesada
e direta, contando com um trabalho absolutamente fantástico de
guitarras, mas que ainda conta com partes atmosféricas. Esta faixa
até mesmo poderia ser dividida em duas pois se transforma, quase lá
pela sua metade, em uma longa viagem atmosférica acompanhada
novamente por vocais femininos melancólicos.
A sexta e última faixa, Peace Is
Absent, é uma épica e dramática faixa de pouco mais de nove
minutos quase que exclusivamente instrumental, com apenas cerca de
dois minutos cantados, cujos riffs lembram bastante o som apresentado
em One Day Less, e que fecha o disco com chave de ouro.
Este disco mostra que a Before the Rain
é uma banda com um grande potencial pra se tornar uma das maiores da
cena Doom. Resta saber se o próximo disco vai confirmar esse
potencial ou não, mas, com certeza, as expectativas para ele serão
bem altas. Mas independente disso, a banda já deixou um álbum
clássico marcado na história do Doom Metal. Se você é fã de um
Doom Metal rico, complexo e bem estruturado, Frail é um álbum
obrigatório!
Segue uma amostra do disco com o video oficial de uma versão encurtada da faixa-título:
No último dia 22, tivemos aqui em São
Paulo o evento Doomsday, organizado pela Last Time Produções.
O evento foi realizado no Bar Estilo
Espiral, no bairro do Ipiranga, e contou com as duas bandas paulistas
Lúgubres e HellLight.
A CASA E O EVENTO:
O Estilo Espiral é um bar num estilo
meio indiano, meio anos 70, de tamanho adequado para um show de público pequeno. O ambiente é
muito bonito, bastante diferente das casas de show a que estamos
acostumados, com belos grafites e mandalas pelas paredes, e até uma
pequena fonte. Outra coisa muito interessante é o uso de materiais
reciclados em parte da decoração. As bebidas são ótimas e o bar
também serve diversas comidas e porções, o que muitas vezes faz
falta em muitas casas de shows pra quem vem de longe, além do bom
atendimento dos funcionários. A localização do bar é de muito
fácil acesso, a cerca de 5 minutos a pé da estação Alto do
Ipiranga da linha verde do Metrô, bastando contornar um quarteirão.
A entrada pro evento custava apenas
R$10,00, e os shows estavam marcados para começar às 20h, o que não
aconteceu devido a problemas para o baterista da Lúgubres chegar
ao local. Mesmo assim, por volta das 21h a banda começou a tocar e o
atraso não causou maiores transtornos, já que, enquanto esperávamos, foi
possível assistir shows de Anathema, Paradise Lost e My Dying Bride
no telão da casa. Além disso, a HellLight, que tocou por último,
ainda terminou seu show um pouco antes das 23h, horário previsto para o
término.
O evento correu relativamente bem, apenas com o problema do atraso e alguns pequenos problemas técnicos com equipamento, nada que chegasse a atrapalhar (a não ser em uma música da HellLight onde a guitarra sumiu completamente por algum tempo). Segundo o produtor Rafael Sade, responsável pela Last Time Produções, o evento contou com mais de 80 pessoas de público. É bom ver que, a cada novo evento, o público vem aumentando, mesmo que aos poucos. A Last Time pretende realizar uma segunda edição do Doomsday em breve. Aguardemos!
A primeira banda a tocar foi a
Lúgubres, banda relativamente nova, formada em 2009. O som da banda
é basicamente um Epic Doom com toques de Death e Funeral, com um uso de vocais épicos do guitarrista
Robson, na linha Candlemass e Mourning Beloveth, alternando com
guturais do baixista Gerisson. A
banda usa e abusa de um recurso que eu, particularmente, amo e acho
fundamental pra uma boa banda de Doom e, por isso, me conquistou logo
de cara: bons riffs. Aliás, o peso dos riffs e das guitarras da
Lúgubres estava esmagador, e a performance geral da banda soa melhor
ao vivo do que o material já gravado. As músicas são muito boas,
bem construídas e variadas. O vocalista e guitarrista Robson, figura
muito carismática, até surpreende quando começa a cantar, com um
vocal potente e uma boa técnica. O show da banda foi descontraído,
com o vocalista brincando, falando com o público e até fazendo
piada com os pequenos problemas que a banda teve. O set foi curto,
apenas 4 músicas, sendo que a duração média das faixas é até
curta pros padrões do Doom Metal, mas foi suficiente pra empolgar
boa parte do público, com alguns dos presentes bangueando perto do
palco. Como destaque, eu colocaria a música Autumn of the Soul, som
pesadíssimo, majestoso, com linhas vocais e melodias muito
pegajosas, uma das faixas que podem ser conferidas no myspace da
banda.
A banda a fechar foi a HellLight, com
certeza já conhecida da maioria dos presentes. O set da banda não ousou muito. Das 5 músicas
tocadas no Doom Fest, em São José dos Campos, e no Eclipse Doom
Festival V, em Sampa, a banda tocou 4 delas (estas mesmas 4 faixas, pelo que consta no site Whiplash,
também foram apresentadas na abertura para o Therion no ano
passado), substituindo apenas Deep Siderial Silence por Fear no Evil
e Winter's Theater, duas faixas do primeiro disco da banda, In Memory
of the Old Spirits (2005). Segundo o vocalista, estas faixas não
eram tocadas há 10 anos, e por essa ocasião, a banda chamou Rafael
Sade, organizador do evento e que também é ex-membro da banda, para fazer os teclados. Tirando por esse detalhe, a apresentação da HellLight foi quase idêntica às anteriores. Pra ler mais sobre a performance da banda, veja as resenhas do Doom Fest e do Eclipse Doom Festival V.
Independente das controvérsias a respeito de seus últimos lançamentos, não dá pra negar que os ingleses do My Dying Bride andam a todo vapor. A banda lançou o álbum A Map of All Failures – pra alguns, o melhor álbum de Doom Metal de 2012, pra outros, uma grande decepção – ano passado, e já está em vias de lançar um novo EP.
O EP se chamará The Manuscript e será lançado pela Peaceville no dia 13 de maio deste ano. O EP trará 4 faixas, com uma duração total de pouco mais de 27 minutos e, pela descrição dada no site da gravadora, deve seguir a mesma linha do disco mais recente e do EP anterior.
Falando nos lançamentos anteriores da banda, em 2011, lançaram o EP The Barghest O' Whitby, que indicou que a banda pudesse voltar a um som mais próximo de seu primeiro álbum, o que não se concretizou em A Map of All Failures. Também em 2011, lançaram o CD triplo Evinta, outro divisor de opiniões, já que o disco que comemorou os vinte anos da banda, ao invés do Doom Metal, apenas trouxe releituras de trechos de faixas antigas da banda em versões de música erudita com toques de New Age. O novo EP será o quarto lançamento da banda num período de menos de 3 anos.
Lembrando que, no dia 10 de abril, a banda estará no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, para sua primeira e única apresentação no país pela produtora Overload.